FUTEBOL e MÚSICA
5/4/2013
“Quem pede, tem preferência. Quem desloca, recebe”
( Gentil Cardoso – Técnico de futebol )

Mestre Gentil, ao criar esta frase magistral, se esqueceu do “ fominha “, aquele jogador que pede todas as bolas.

Até do goleiro.

Se ele receber todas as bolas que pede, ninguém joga.

Por isso, atrevo-me a propor uma troca de palavras:

Quem pede, se desloca. Quem tem preferência, recebe.”

O futebol, como a música, é uma atividade coletiva, solidária.

Não há lugar para egoísmos, nem egocentrismos.

Uma solitária nota musical é, apenas, um som.

Quando ela se encadeia com outras, cria uma melodia.

Quando se une a mais de uma, forma um acorde .

E assim por diante, até transformar-se numa sinfonia.

Assim como o “ artilheiro “ precisa do companheiro para servi-lo, o músico solista necessita da orquestra para apoiá-lo.

Por isso, uma equipe - ou uma orquestra - formada só por solistas não daria certo.

Um time perfeito tem um bom goleiro, oito bons jogadores, um craque e, se possível,
um " fora- de –série ".

E, naturalmente, um bom Treinador.

Ou seja, um bom Maestro.

Mas, para funcionar, é preciso harmonizar os setores.

Como numa orquestra.

Quer dizer: “ jogar por música “

Muita gente chama de “ Maestro “ o craque do time.

Geralmente é o camisa 10.

Ele funcionaria, numa orquestra, como o um 1º violino, também chamado de“Spalla",
o homem de confiança do Maestro.

Ele é o ponto de equilíbrio e quem garante o desempenho do conjunto.

Reparem que, quando o concerto termina, o Maestro o cumprimenta antes de agradecer aos aplausos.

Assim, também, com o craque de um time.

É ele quem dita o ritmo de uma partida.

É nele que o Treinador e os torcedores depositam toda a confiança.

Quando ele não está bem, o time não rende, perde o ponto de equilíbrio,

Como disse antes, uma equipe de futebol formada por um bom goleiro, oito bons jogadores, um craque e um " fora-de–série " e, claro, um bom Treinador, é, praticamente, imbatível.

Haveria um time assim?

Sim.

A Seleção Brasileira de 1970.

Além de um grande goleiro, ótimos jogadores, vários craques e um " fora de serie ": Garrincha.

E ainda tinha Pelé.

Talvez nem precisasse de Treinador.

Mas tinha. Um ótimo.

Ele conseguiu harmonizar um ataque só com jogadores que usavam a camisa 10 em seus respectivos times e ninguém reclamou, nem se rebelou por usar outro número.

É que a 10 já tinha dono: Pelé.

Pelé ultrapassou o conceito de craque ou " fora-de-serie ".

Atingiu a dimensão de gênio.

Tornou-se um ícone, um mito, uma lenda viva.

E uma referência.

Quando queremos colocar alguém no mais alto patamar, dizemos, por exemplo:

“ Oscar Niemayer é o Pelé dos arquitetos “.

“ Einstein é o Pelé da matemática “

“ Freud é o Pelé da psicanálise “

E assim por diante.

Todos gênios.

Nenhum se tornou uma referência, como Pelé

Só um:

Jesus.

O Pelé dos Pelés



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