PELÉ
2/5/2013
PELÉ
CARISMA

Quando o programa “Jovem Guarda” terminou, a TV Record de São Paulo lançou o programa “Roberto Carlos à noite”.

Na estreia, os convidados eram o figurinista Denner, o Pelé e eu.

Andando pelos bastidores, dei de cara com o Pelé.

Não sei dizer o que senti naquele momento, diante daquele " monstro sagrado ".

Fiquei sem fala.

Ele riu, me abraçou e disse: “Silvio, eu estava louco pra te conhecer”.

( Sem comentários ).

Algum tempo depois, o Wilson Simonal - um cantor extraordinário, que conheceu o céu por conta do seu imenso talento e desceu ao inferno por causa das armadilhas do destino - me ligou, disse que iria jantar com o Pelé e me convidou para ir com eles.
A Seleção de Futebol de 1970  – a melhor que o mundo já conheceu  iria jogar no Maracanã.

Depois do jogo, a gente ia se encontrar com o Pelé e sairia com ele, para jantar.

Na saída do Maracanã, uma cena marcante:

Em direção ao estacionamento, Pelé, cercado de crianças ( parecia que ele usava uma saia de cabecinhas sorridentes ), ao passar por um dos porteiros chamou-o pelo nome e perguntou: “E a sua filha, resolveu aquele problema?
O outro respondeu: “Sim, seu Pelé. Muito obrigado pela ajuda”.
E o Pelé: “Que nada seu...( e repetiu o nome do porteiro ), foi um prazer.”

Passamos no hotel, pra ele trocar de roupa e antes de sairmos ele disse que queria me mostrar um samba.

Todo mundo sabe que ele sempre gostou de tocar violão e compor. 
Na hora de mostrar a música, ele tremia como um principiante.

Até brinquei com ele: Você, nervoso perto de mim?

E ele: Cada um na sua, né Silvio?

Dali fomos para o restaurante, onde vivi uma experiência extraordinária:

Eu me senti invisível.

Ninguém olhava pra mim,

Nem para o Simonal, que estava no auge do sucesso.

Só olhavam para o Pelé.

Parecia que só havia ele no restaurante.


Nesse dia compreendi definitivamente o significado da palavra

CARISMA




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